Maxim Repetto
Em cima das árvores, por sobre as copas dos edifícios, onde as janelas de nossas vidas nos mostram um mundo interior que somente vemos ao desprender-se nossa alma do corpo, com quadros psicodélicos e fotos nuas penduradas a espera da visita de espectadores que chegarão só depois de mortos. Ali, onde ao entrar pelas varandas aos prédios intumescidos na umidade planetária, uma escada sem degraus nos escorrega novamente até as profundidades de onde apenas se nasce através das raízes submersas que sustentam a vida.
Ao subir, nascemos como nossos filhos, melados em óleos e placentas, untados nos resto do amor, ou entre os pedaços de nossos erros. E como filhos que nascem com dentes afiados, nossos filhos, ao igual que nós, cortam seus cordões umbilicais mordendo com suas bocas e bebendo o sangue de suas mães, mamamos nos peitos muchos e já chupados até o cansaço pelos descendentes das Coyotes capitalinas nas colinas do mundo.
E se escorregamos no meio da subida, antes de entrar pelas janelas românicas abertas nas árvores da vida, queríamos gritar como os bebés depois de receber duas palmadas nas costas, pendurados pelos pés nas mãos dos Deuses, pedindo o colo de nossas genitoras, cegos de medo, apenas sentindo o cheiro do leite que nos guia até as partes mais altas da floresta.
Subir e descer por entre as raízes da vida é mais que um plano divino, é uma experiência profana bastarda, contra natura. O homem se fazendo assim mesmo. A mulher parindo-se assim mesma. Nascendo e morrendo, subindo e descendo.
Agora que olho para trás na minha vida, prestes a entrar novamente na janela do meu cérebro, como as crianças brincando mil vezes nos escorregadores dos parques, vejo o sol no horizonte, por trás das nuvens de poluição eterna, vejo meus filhos, como uma manada de caranguejos amarrados numa corda, tentando sair das profundezas e escalar as raízes de suas próprias árvores, impúberes e cegos na penumbra da floresta, sob os galhos das árvores.
Nenhum comentário:
Postar um comentário