sábado, 19 de dezembro de 2009

Mergulho Chilango


Voltar ao Distrito Federal, na Cidade do México, foi uma escorregada, um deslize num túnel do tempo, entre as curvas serpeantes, ao descer a montanha, desde rio Frio de Juarez a Ixtapaluca.
Ao cair no meio, ao mar de luzes que balançavam, qual lago cercado de montanhas, no vale do México, flutuou o mundo nas suaves ondas formadas por milhões de luzes que ondulantes e compactas, elevam-se e fluiam como o mar sendo preso entre as mãos dos vulcões apaixonados, da mulher indígena dormida a meia noite, Iztaccihuatl, e seu amante desconsolado, o Popocatepetl.
Os morros explodiam em ondas que ao elevar suas luzes as espalhavam pelo céu, como brisa úmida e refrescante, já no início do inverno. E os moradores eram vomitados desde dentro de suas casas pelo mar de luzes nas enxurradas que alagaram as periferias cinzas da Cidade do México, nas últimas chuvas do inverno.
Já fostes lago seco, e antes lago cheio, ilhas, e chinampas ancladas com āhuexōtl e āhuēhuētl, até os canais de Xochimilco. Pois esta noite, ao cair desde a montanha, mergulho em plena tormenta num oceano de luzes brancas e amarelas. E a agitação é porque o Popo destapou a rolha no fundo do poço, e o mar de pessoas, velas, lampiões e lâmpadas vão-se pelo ralo.
Por ser no hemisfério norte, o redemoinho chupa em espiral anti-horario e as marés levantam as águas, como fossem fogos de artifício, o vulcões derramando sua lava acesa em milhões de lâmpadas urbanas.
Ao afundar meu ônibus no frenesi da cidade mais grande do mundo, vinte milhões de almas, e ver rios de luzes brancas e vermelhas, e casas e mais casas, bairros e periferias, a maior periferia do mundo, parece que todo fica em calma, e no meio ao furacão que devora a cidade, distante, um vovó da rua coleta papelão, latas, lixo e seu cachorro o admira e acompanha.
Essa calma me lembrou São Paulo, essa curva do rio Jatapu que os Wai Wai batizaram com o nome da maior cidade brasileira, pois ao passar suas lanternas a noite, os olhos de centos de jacarés brilham, mostrando a exuberância da selva, da Amazônia, assim emerge uma zoocidade, Jacaré City, a civilização flutuando num rio cercado de matas e espíritos.
Da mesma forma, a Cidade de México, de 685 anos, nos recebia ao chegar a Taxqueña, já os rios e luzes ferventes se acalmando e freando ao chegar no semáforo vermelho.
Pensei que era uma revolta, um levantamento popular pegando fogo, uma revolução das almas contra o Bicentenário. Pois não, era a cidade mesmo, sua voragem, antes de terminar de sair os últimos pingos pelo ralo do Lago Texcoco. Cada um rema sua canoa fugindo dos redemoinhos menores, das pororocas, das marés lunares, os asaltos, os sequestros, os estupros, desamores, desvelos.
 Apenas espero chegar salvo ao décimo andar do Edifício onde aguardo impaciente a próxima enchente milenarista que trará de novo as águas de volta ao lago.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

MIGALHAS





acendo o cigarro sem pestanejar. me ligo no copo vazio. transbordo. tento encontrar, sem muita esperança, as palavras mais certas. as quebradas, aquelas capazes de me reconstruir. pelo menos a literatura... o impossível sempre me apavora. e eu trago. e eu tomo, com graça, os restos. e eu me descasco sem dó. sem espelho eu vejo minhas sobras. ah, eu vejo as minhas sobras. contento aos mil e um tropeços repetidos que me apavoram. não quero fechar os meus olhos. não quero me banhar em poucas lágrimas. não quero me molhar em migalhas.

SE LIGA!




- tá legal, você vive dizendo que eu não reparo nas suas coisas...
- é verdade! não repara mesmo! até meus cabelos de baixo do braço você nem reclama mais...
- e daí? cansei de cortar o cabelo e nada!
- porra, desde que eu te conheço você raspa essa merda...
- foda-se! nunca é a mesma coisa... a mínima diferença não chega nem perto da sua indiferença.
- você comprou o jornal?
- não!
- tá vendo, não tá mais ligada. é disso que eu tô falando faz meses...

BETTY BOOP





vamos pra rua, baby
vamos dar um nó na razão
vamos cair de cambalhota na esbórnia
geral total esquece o sal de fruta e coisa e tal
não dá pra ficar de fora
nem pense em pedir coca-cola
chega de mansinho secreto
sem muitas firulas dos tempos de escola
na real? Betty Boop é nossa maior puta
o passado camufla a merda das mágoas
apenas nos traz o equilíbrio distante
almejado e completamente equivocado
vamos tomar banho de chuva essa noite?

PRA BAIXO, EU? VAI TOMATE CRU!




o lance é o seguinte, não temos lances de sobra. a reserva nem pensa em nos substituir. somos assim mesmo. sem qualquer possibilidade de permutação. outro dia, ouvi de um indivíduo, - cara, mas você tá muito pra baixo... quer saber? tô mais em cima do que qualquer paspalho que pensa que sua vida é uma dádiva divina. e falo isso sem pestanejar. meu caro colega ingênuo, os dias estão contados, não estão? como é que você pode viver numa boa com essa certeza, que ultrapassa a nossa imaginação?

DEIXAR DE EXISTIR



teve um tempo que eu até achei que dava pra levar. porra nenhuma! não dá pra levar porra nenhuma. falo muito do acaso porque não vejo outra saída. é tudo por acaso? mentimos, nos enganamos, somos os maiores farsantes. somos os maiores fracassos. acreditamos nessa configuração direcionada que nos faz pensar em estabilidade, mas é tudo furada. tudo perda de um tempo que nem temos de sobra. tudo desejos de outros. brigamos pelas sobras. brigamos pelas beiradas desajeitadas, sem chances. brigamos pelo que nem sabemos porquê brigamos. empunhamos o discurso - vamos em frente! bobagem... nunca estamos na frente, mas acreditamos, piedosamente, acreditamos, e é isso que nos faz parecer um pouco mais humanos. mas só parecemos...só perecemos, meu irmão...


www.sextascronicas2008.blogspot.com
www.ciadolavrado.com.br

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

LUA CHEIA



- você lembra da época em que ficávamos de bobeira paquerando a lua?
- como é que eu poderia me esquecer de uma maluquice dessa? você vivia dizendo que ela tava afim da gente...
- eu queria te comer e você fazia muito jogo duro na época.
- sei...
- é verdade, esse negócio de não trepar no primeiro encontro é uma babaquice desgraçada. meninas...
- babaquice é essa história de brochar no primeiro encontro. garotos...
- vamos voltar pra lua?

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Tus Ojos serán mis Ojos y mis Ojos serán tus Ojos

Maxim Repetto

Ni las nubes del cielo de San Cristóbal de las Casas pueden ver los adoquines en el suelo tan brillantes, como los ven mis ojos a través de tus ojos.

Aquellos dos luceros negros encendidos no están para observar las huellas de las hormigas entre la estructura de paralelepípedos coloniales dejados por la guerra mas larga de la historia, de masde 500 años, como recuerda la radio de la libertad, entre los cerros y sierras, en los altos de Chiapas.

En el taxi, los corridos Zapatistas nos recuerdan las masacres, las luchas, la intolerancia de un continente indígena invadido por la codicia y la impunidad.

Tus oídos, al escuchar estas músicas, me invitarían a danzar a pleno sol de media tarde, sudando y llorando nuestros muertos que con su sangre violentada pegaron los adoquines al suelo. Serian cumbias, danzones, corridos, arrastrando los pies, saltando y abrazándonos.

Pues yo veré a través de tus hermosos ojos y, al leer mi carta, tu veras a través de mis tristes ojos.

Hasta el populacho Reginaldo Rosi, de Brasil, cantado en español, me recordaba lo lejos que estaba y que no te tengo.

Pero el recuerdo de tus ojos almendrados y negros se expandía al absorber la luz reflejada por las iglesias y calles coloniales.

Como tu pelo negro acompañando las banderas y guirnaldas de las últimas fiestas patronales, en los barrios Mayas de San Cristóbal de las Casas.

Quería ser la sombra en los pliegues de tus párpados o rimel apelotonado en las pestañas de tus ojos, sudor Zapatista corriendo por tus lagrimales.
Quería ser fuerte sin perder la ternura.
Quería ser bala que mata la nostalgia.
O entonces la cumbia que asalta tus piernas y brazos, o el pañuelo que cubre tu rostro, tu pasamontañas.
Podría ser la sandalia que protege tus pies insurgentes que suben la montaña.

O el huipil colorido y bordado a mano, tejido en los telares de las arañas mitológicas que protegen tus espaldas de los disparos y las traiciones.

Me cegarían los destellos de las balaceras y me cortarían como a los hijos de Acteal, dentro del vientre de mis madres, incluso antes de nacer.

No tendrías porque ver esto, ni llorar al ver las fotos de las mujeres y los hombres ametrallados, o los bebes mutilados, en Acteal.

Se ven en el campo los rastros de la traición y de las fuerzas paramilitares, la acción del mal gobierno, que amordaza la vida, como los campesinos a los carneros. Por eso las Abejas vuelan, entre la montaña y la selva, haciendo carbón del monte y cenizas sus recuerdos.

Pero mis ojos no escogen. Quería ver solo las lindas montañas, las flores, las mariposas tigradas.
Pero veo el sudor del trabajo, la sangre regada en los campos, muchas casas y sembrados e iglesias en la punta de los cerros, en los valles y desfiladeros.

Siento el frió de la montaña abrazándome hasta la muerte, nuestra propia muerte insana. El color de la lucha de la resistencia está en los murales de las cooperativas, en Oventic, y nuestro rostro es el de un Caracol, que lento y seguro, resistente e imparable, avanza construyendo futuro, en espiral, al ritmo del universo, sonando su llamado milenar por sobre el eco de las montañas, invitando, convocando. Nuestro rostro es la virgen de Guadalupe, con las manos resando y, como buena madre, con su pañuelo zapatista cubriendo el rostro por verguenza de lo que sus hijos les hacen a sus hermanos. Luego un corrido nos muestra la historia de Emiliano Zapata: tierra y libertad para el que trabaja!

En tierra de mujeres dulces y hombres valientes, es necesario aprender a ser humilde y consecuente. Hay que aprender a no llorar por cualquier recuerdo infame y a amar aunque no tengamos amor.

Perderé la vista y tus ojos cegaran algún día, mientras el glaucoma profundo que destruye mis tejidos te llevará al olvido, ese lugar recóndito y profundo del que nunca saldremos.
Quisiera ser piedra, pirámide, espíritus, campos verdes, nubes suaves. Veo lo que ya vistes, ya vistes lo que no observo.

Y antes de perderme en las curvas de lo alto de la montaña, entrando a la Sierra Madre Guatemalteca, veo tu cuerpo sobre el mío ... veo mi cuerpo debajo de la tierra, acribillado y mutilado, y tus sonrisas se confunden con el llanto, los corridos y las marimbas, al doblar la última curva envuelta en la neblina Zapatista.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

REBORDOSA


Acendeu o cigarro pelo lado do filtro. Ignorou o ambíguo e o aviso estampado no maço. Arrancou a parte queimada e cuspiu fumo até o último trago excitado. Adiantou por mais cinco minutos o fim, enquanto o sol invadia a sala pelos buracos roídos espalhados pela cortina velha descosturada. O ontem já era passado. E fato. Levantou-se aos tropeços e foi em direção à geladeira. Carecia, no mais pretérito imperfeito possível, substituir o gosto dos três dias seguidos. Era o indicativo do tudo entornado. Sacou um litro de leite estragado e entornou o líquido grosso no liquidificador, seu carrasco, sem preocupar-se com cores e odores. Cagou pros sabores. Revirou as garrafas vazias espalhadas pela casa, sacudiu esperanças dos copos ainda molhados, e por fim, hesitantemente desesperado, misturou tudo com um vidro inteiro de alfazema. Bateu ligeiro. Cambaleou no processo. E bateu com os dentes trincados com toda a certeza do ato. Pensou um hiato. Bebeu de uma só vez, sem jeito e sem alma. Escorou-se na pia. Sem calma. Queimou as células, aumentou o buraco. Sem volta e sem contos. Somente remédio pro tédio. Os restos do estômago impedido cobraram aos gritos suas fracas convicções e ainda assim chegou ao criado-mudo. Insistentemente vitorioso esticou o braço, trêmulo há dias. Insistiu no cigarro. Acendeu-o pelo lado do filtro. Ignorou o ambíguo e o aviso estampado no maço. Arrancou a parte queimada e cuspiu fumo até o seu último trago. Morreu de câncer generalizado.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Poesia no Banheiro

Maxim Repetto


Defendo que sejam construídas prateleiras especiais para os banheiros!
que tenham espaço para livros de poesia, junto ao rolo de papel higienico,
assim os mijões e cagões podem ler versos aromáticos
enquanto liberam toxinas para o mundo!
Declamações poéticas para as floras e faunas bacterianas...


Assim os livros de poesia não precisam de mais atenção
do que demora um navio a cair no vaso,
nem mais concentração do que a força para expeler o indesejado,
e nem mais gramática da que brota de nossas bocas puras enquanto empuxamos,
e assim, a eternidade de um verso,
pode em míseros segundos
encontrar a gloria
ao ser arrastado pelo redemoinho poético da descarga hipnotizadora.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

MOLECAGEM

Abriu a porta lentamente com a arma em punho. Foi alvejado no peito aberto. Descuido imperdoável na profissão. Longe da porta, ainda ouviu seu coração reclamar. Teto preto. O tempo fechou geral. Era presa fácil. Levantou a pistola com muita dificuldade, se ajeitou e levou um bicão na mão. O trabuco foi longe. Sem chance de recuperação. Viu seu carrasco aproximar-se. Foi arrastado para dentro do armazém, deixando para trás apenas um rastro de sangue. Permaneceu por muito tempo sem saber direito o que lhe acontecia. Só dor. Facas, alicates sujos de graxa, fios e sacos plásticos. Era uma seqüência punk com os mais sádicos métodos de tortura nazista. Não conseguiu gritar. Sofreu em silêncio, sabia que não seria resgatado dali com vida. Um gato nos dentes de um pitbull raivoso. Viu sua perna esquerda sendo pendurada, aos pingos. A visão embaçou. Esticou-se até alcançar a outra, mas escorregou no seu sangue quente que jorrava. Era o seu fim. Caiu para o lado e quebrou-se todo no chão.
-
Mãnhêeee! O Paulinho quebrou o enfeite da mesa.
- Desgraçado! Foi presente da sua avó. Vem cá que eu vou arrancar sua orelha!
O garoto saiu correndo para o quintal, subiu na mangueira e ficou por lá até a hora do seu pai chegar.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

color-poem

Fábio Almeida de Carvalho


Intercultura

C´est la vie


nem sempre !

en rose

Interculturalidade: a luta concreta pela história

Maxim Repetto[1]

Muito falamos no conceito de interculturalidade, especialmente no contexto do Curso Licenciatura Intercultural, na UFRR. Mas será que temos clareza sobre o que isso pode chegar a significar? Pois os conceitos podem ter diversas acepções e inclusive às vezes sentidos opostos, dependendo de quem use, como e para que.

Utilizar este conceito sem um senso crítico que questione de forma clara sua história e, ao mesmo tempo, o confronte com a situação específica de Roraima e da Amazônia, podem levar à defesa de formulas alienantes submetidas aos processos políticos e sociais de exploração capitalista. Uma proposta intercultural sem análise crítico poderia cair nas armadilhas da "utopia angelical" da interculturalidade, como argumenta Gasché (2008).

Nós mesmos, no Projeto Político Pedagógico do Curso Licenciatura Intercultural (2008), definimos a interculturalidade como um processo de diálogo entre culturas. Hoje vejo que é necessário aprofundar essa definição, pois somente o “diálogo” não garante a construção de novas formas de convívio numa sociedade mais justa, que ao final de contas é o objetivo superior da educação. E nem garante um processo educativo mais participativo e menos alienante.

Contudo, o sentido do diálogo entre culturas refere-se não apenas a desenvolver capacidades para ouvir e falar, mas sobretudo, de refletir e pensar. Isto último numa perspectiva dialógica, que não deve remeter apenas a idéia de um colóquio entre dois (emissor e receptor), mas sim a uma discussão polifônica (BAKHTIN, 1997), sustentada por diferentes referências espaço-temporais, onde idéias, opiniões, conceitos, percepção sobre os processos históricos e do próprio mundo, devem ser compreendidos no complexo emaranhado de situações e atores envolvidos, articulados e desarticulados em diálogos nem sempre claros e isentos de conflitos.

Considero, nesta perspectiva, que quando no curso Licenciatura Intercultural se fecham as portas do diálogo com argumentos excludentes, como o fato de vários de nós não sermos indígenas, ou algum de nós não ser brasileiro, cai-se no engano de pensar que a interculturalidade é apenas um desfile folclórico, onde só podem ser aceitas as idéias próximas às de quem fala. Pois o verdadeiro diálogo implica em aceitar que há opiniões diferentes às nossas, mesmo que não se concorde com elas. Da mesma forma, realizar acusações supérfluas e sem a presença dos acusados, não contribui à compreensão e a superação dos conflitos. Além de negar o direito básico a resposta, base sem a qual o diálogo não existe. Sabemos que o conflito é parte da vida em sociedade (Simel, 1999), mas a sociabilidade nos exige buscar mecanismos para superar os mesmos. E é isso que nutre o debate sobre interculturalidade, a busca de mecanismos de diálogo, de participação e de resolução de conflitos.

Estas considerações são pertinentes já que a interculturalidade surge desde a América Latina, denunciando o Estado monopólico, e às políticas integracionistas e homogeneizadoras concretizadas na idéia da tutela imposta aos povos indígenas. Posiciona-se contra políticas educativas tão arraigadas que promovem um “branqueamento” cultural e a submissão a planos de estudos e às exigências de formulação de projetos políticos pedagógicos nas escolas indígenas, por não promover, ao mesmo tempo, uma reflexão crítica sobre o mundo. As políticas de bilingüismo na prática impuseram o que Profa. Maria do Socorro Pimentel chama de bilingüismo de transição, pois se alfabetiza na língua indígena, para logo impor na escola todo um processo de letramento submetido a cultura e língua nacional.

Confusões como esta tem feito da DEMOCRACIA, um sistema falho e ao serviço de setores dominantes que cada período eleitoral nos iludem com candidatos que nos prometem o céu e a terra. E caímos nessas armadilhas quando achamos que a mera participação em processos eleitorais poderá mudar a situação de exploração que vivem as comunidades indígenas. Mas, esquecemos que nas bases, nas comunidades, estas idéias não estão claras. Há confusão, e pensamos que partir para um confronto eleitoral nos dará uma vitória, que por efêmera, nos revela logo após dos processos eleitorais, que a principal derrota, política e eleitoral, foram historicamente nas urnas das próprias comunidades indígenas. Isso por falta de diálogo, por não esclarecer o que significa a participação em sociedade e quais são os desafios, seja para os povos indígenas, como para o conjunto da sociedade.

Discutir Interculturalidade nos exige, também, discutir as condições materiais do diálogo polifônico. Não pode apenas ficar numa perspectiva conceitual e teórica, deve ter bases sociais, políticas e econômicas.

O conceito do Multiculturalismo, como trabalhado nas sociedades anglosa-xãs, em especial nos Estados Unidos, sob o amparo da democracia liberal, entendendo o liberalismo como o campo filosófico do capitalismo, tem chegado até posições dogmáticas e totalitárias, criando a ilusão de que apenas o reconhecimento da diversidade permite a inclusão e a participação. Assim o “pluralismo pode chegar a sugerir que os indivíduos incorporem valores diferentes em um único ponto de vista e que devem permanecer eqüidistantes de todo dogma” (Mc Laren, 1997, p. 297). Transformando assim a Democracia num vinculo formal entre indivíduos abstratos, desprovistos de cultura e de sua especificidade subjetiva, de forma que a democracia liberal reproduz uma compreensão coletiva do “individuo”. Transformando-se numa falsa promessa do capitalismo, que o suposto consenso disfarça e oculta.

Assim como a democracia, a interculturalidade não pode ser apenas uma regra de procedimentos, mas uma floresta barulhenta onde os grupos sociais, e não apenas indivíduos isolados e desterritorializados ou pseudo iluminados, possam concretizar sozinhos o espírito da participação. Não se trata apenas de construir um salão onde o consenso permita ouvir o silêncio da unanimidade. Acreditamos que a polifonia de vozes deve falar, e alvorotar os salões do poder, fazer sentir as diferenças.

Por isso defendemos que a ética, enquanto qualidade espiritual da vida em sociedade, deve ter um lugar de destaque na construção do diálogo intercultural. E no caminho da educação escolar indígena, deve servir para definir a natureza e o propósito da educação e da socialização das novas gerações. Assim o debate da interculturalidade se torna transdisciplinar, pois exige um olhar filosófico, político, educativo, antropológico, etc. Mas transdisciplinar não apenas por ser uma salada de olhares diferentes, mas porque há uma concepção de abertura ao diálogo, onde o conhecimento não pode ser construído e alcançado apenas desde posições monológicas.

Falamos em cidadanias interculturais, onde os direitos não sejam reduzidos a uma vivência individual, pois somos seres que vivemos em coletividade, a língua e a cultura não são fenômenos pessoais, pois a cidadania deve reconhecer isso, e o exercício pleno dos direitos deve aprender a transitar pelos caminhos da dialogia e da tensão entre o pessoal e o coletivo. Assim, poderemos contribuir na construção de uma nova sociedade, que ainda espera, dormida sob o pântano do conformismo e do medo. A interculturalidade clama por uma revolução, por uma transformação, e ela será a luta concreta pela história.

Referências

BAKHTIN, M. Marxismo e Filosofia da Linguagem. São Paulo: Hucitec, 1997 [1929].

GASCHÉ, Jorge. De la educación intercultural indígena a la educación intercultural para todos en América Latina. IIAP-Iquitos, CNRS-París (\PON-ART\52CIAM\JG-Ponencia-1-Sevilla0706). http://fucaicolombia.wordpress.com/2008/04/02/de-la-educacion-intercultural-indigena-a-la-educacion-intercultural-para-todos-en-america-latina/. (consulta em 15/07/2009)

MC LAREN, Peter. Multicultiralismo Revolucionário. México: Siglo XXI, 1997.

PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO DO CURSO LICENCIATURA INTERCULTURAL. Carvalho, F.; Fernandes, M.; Repetto, M. (Organizadores). Boa Vista: Editora UFRR, 2008.

SIMMEL, Jorge. Sociología. España: Espasa, 1939.


[1] Professor na área de Ciências Sociais do Curso Licenciatura Intercultural, Núcleo Insikiran de Formação Superior Indígena, Universidade Federal de Roraima / Brasil. Bolsista Pós-Doutorado CAPES/MEC-Brasil: Pesquisador visitante no “Centro de Investigaciones y Estudios Superiores en Antropología Social” (CIESAS/México).

SOBRE OS DIAS



já cansei de sofrer pelas madrugadas
a dor agora é diária
ininterrupta
sem hora marcada

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Mistérios

Maxim Repetto

Que mistério é esse que navega rio acima,

abrindo as águas profundas ao seu passo?

Será um monstro mítico?

Um desejo?

Uma agonia?

Uma saudade?

Uma inconseqüência?

Que mistério é esse

Que aparta as águas do Uraricoeira?

O certo do errado?

A alegria da dor?

O velho do novo?

Que mistério é esse

que aparece e desaparece,

boiando e mergulhando

como as memórias fantasmas

de nossas vidas?

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Subir e Subir

Maxim Repetto

Como um caranguejo subi de entre as raízes gigantes às árvores aquáticas das selvas amazônicas, trepando por cipós enroscados, escadas de macacos até as copas verdes de galhos que se enroscam nas bases cada vez mais altas de prédios curtidos em cimento que se levantam sobre as cidades torcidas da América Latina, habitadas por seres mais esquisitos do que eu, colonias pre-hispanas, cemitérios das guerras da invasão colonial. Espectros com mais braços, com mais pinças, mais olhos e desejos mais obscuros, eram os espíritos dos seres milenares destruidos pela historia insana do continente americano.

Em cima das árvores, por sobre as copas dos edifícios, onde as janelas de nossas vidas nos mostram um mundo interior que somente vemos ao desprender-se nossa alma do corpo, com quadros psicodélicos e fotos nuas penduradas a espera da visita de espectadores que chegarão só depois de mortos. Ali, onde ao entrar pelas varandas aos prédios intumescidos na umidade planetária, uma escada sem degraus nos escorrega novamente até as profundidades de onde apenas se nasce através das raízes submersas que sustentam a vida.

Ao subir, nascemos como nossos filhos, melados em óleos e placentas, untados nos resto do amor, ou entre os pedaços de nossos erros. E como filhos que nascem com dentes afiados, nossos filhos, ao igual que nós, cortam seus cordões umbilicais mordendo com suas bocas e bebendo o sangue de suas mães, mamamos nos peitos muchos e já chupados até o cansaço pelos descendentes das Coyotes capitalinas nas colinas do mundo.

E se escorregamos no meio da subida, antes de entrar pelas janelas românicas abertas nas árvores da vida, queríamos gritar como os bebés depois de receber duas palmadas nas costas, pendurados pelos pés nas mãos dos Deuses, pedindo o colo de nossas genitoras, cegos de medo, apenas sentindo o cheiro do leite que nos guia até as partes mais altas da floresta.

Subir e descer por entre as raízes da vida é mais que um plano divino, é uma experiência profana bastarda, contra natura. O homem se fazendo assim mesmo. A mulher parindo-se assim mesma. Nascendo e morrendo, subindo e descendo.

Agora que olho para trás na minha vida, prestes a entrar novamente na janela do meu cérebro, como as crianças brincando mil vezes nos escorregadores dos parques, vejo o sol no horizonte, por trás das nuvens de poluição eterna, vejo meus filhos, como uma manada de caranguejos amarrados numa corda, tentando sair das profundezas e escalar as raízes de suas próprias árvores, impúberes e cegos na penumbra da floresta, sob os galhos das árvores.

La Papa en la Cazuela

Maxim Repetto

No es cualquier papa, es la papa en la cazuela!

Papas en cocidos o en caldos no tienen el mismo sabor. Yo que ya me hice hombre papa, apenas alimentándome de tubérculos y cocido y molido me hice papilla de niños sin dientes, de ancianos que lo único que les quedaba en la boca era la lengua, de enfermos y convalecientes en los sanatorios de nuestro continente. Y aunque la papa latino americana no sea una, sino mil: rojas, moradas, blancas, amarillas, verdes, cafés, chicas, grandes, sureñas, nortinas, chilotas, andinas, amazónicas, costeñas, serranas, pantaneras, selváticas, dulces, saladas, amargas, venenosas, híbridas, genéticamente modificadas y hasta degradadas hoy por transgénicos y por la Montsanto, la papa es hija legítima de la Pacha Mama.

Papas putrefactas cocinadas al vapor como quesos Rockefort, negras y enmohecidas, sabrosas y delicadas.

Pues fue en Ciudad de México, en El Chileno de Colonia del Valle, que descubrí que la papa en la cazuela chilena no es lo mismo que una mosca en la sopa brasileña. Que los porotos verdes, que el choclo, el zapallo, el cilantro, la cebolla, el arroz, la carne o el pollo, la sal y el agua, se combinan y le dan ese sabor especial, que solo mi abuela Maria conseguía, como las pantrucas en Recoleta y el pastel de choclo en Ñuñoa.

Me creía hombre, después de haber vivido mas de una década en las selvas y sabanas sudamericanas, después de haber caminado con mi machete el continente tierra adentro, después de cazar fieras salvajes en los montes y pescado Pirarucus gigantes enfrentando a las terribles Piranhas en el lavrado del Maruwai, en Roraima.

Pero cuando la cuchara me trajo los recuerdos a mi boca, lloré como un niño con hambre mientras le calientan su puré, sus colados y su sopa. Lágrimas que, como la leche, disuelven las papas cocidas debajo del tenedor.

Cucharada tras cucharada hice de vuelta el camino hasta la cocina de mi madre, que también se llama Maria, en Maipú.

Desde la calle los tacos con guacamole y chile mexicano me miraban perplejos, las papas duquesas con altanería, las papas a la francesa, con desprecio, las papas con queso, con envidia. Y las papas cocidas, pobrecitas, sabían que solo el agua no les daba esas propiedades que la papa en la cazuela tenía.

La carne estaba impregnada en los poros de la papa, mientras los porotos verdes colgados en la cuchara, eran como piratas al asalto de un buque fantasma, en el caribe de mi boca, mientras mis dientes se enfrentaban a los granos amarillos de los marineros arrancados de la coronta, que de cuero grueso y almidonados, se infiltraban hasta el fondo de mi guata.

Suave y delicada la papa de la cazuela se impregnaba en las encías, se metía entre los dientes, se sumergía debajo de la lengua, mientras mis lágrimas le ponían mas sabor a la cazuela, cuando cerraba los ojos para comparar el movimiento en el plato con las olas en el Pacífico sur de mi Viña del Mar mirada desde los cerros.

El ají picante mierda, multiplica el sudor en la mesa y el vino tinto divide las fibras de la carne, deshaciéndolas en la boca blasfema.

La lengua, que como cámara mortuoria para la papa mordida, era su tumba y su cajón, me recordaba lo que era estar vivo, mientras seguía llorando desconsolado, viendo que el caldo se secaba y en este mar de nostalgias, quedaban apenas tres barcos naufragados en un dique seco: la carne, el zapallo y la papa.

Los porotos verdes y los choclos que sobraban, como peces moribundos saltaban para dentro de la cuchara, en un último desespero, comprendían ahora lo que es estar donde las papas queman.

Y cuando puse la última cucharada en la boca, y el ají picó por última vez y bebí el postrero tinto litreado, tragando lentamente y levantando la manzana de mi garganta ... glup!, supe que no hay otra papa como en la cazuela, como no hay otra abuela o otra madre, esa que nos quiere y nos espera, hasta que podamos nuevamente estar frente un plato hondo y humeante, con una gran papa cocida en el medio del cariño y del amor materno.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

PENSAMENTO do DIA de São Nunca

Todo homem dedicado a uma causa MUITO nobre pode vir a ser um grande homem...
Todo grande homem MUITO dedicado a uma causa nobre pode crescer ainda mais em tamanho; basta, para isto, que tenha uma mulher insatisfeita com sua dedicação e um outro alguém dedicado à nobreza da causa dela...

Uraricoeira

Maxim Repetto

Quantos dentes podem reluzir

num redemoinho

na vazante do rio Uraricoeira?

Serão mais dentes que metros de fundura?

Será uma tocaia a minha espera?

Minha carne à isca feiticeira?

Meu sangue o perfume afrodisíaco

que excita os répteis dormitando no fundo?

Meus passos um cochicho nos ouvidos

do Jacaré Açu no meio do redemoinho?

Os círculos concêntricos na água

rezas hipnotizadoras me convidando

a um mergulho fatal?

Às seis horas da manhã

tomava banho no Uraricoeira

a premonição de uma morte,

da minha morte social,

da minha separação,

do meu estrago total.

Apareceu da nada uma moça,

uma miragem,

uma índia que me aparecera em sonhos

em outras vidas,

de cabelos negros e suaves,

de cochas firmes e poderosas,

cheirando uma implacável pele morena,

banhando desnuda,

escondendo seus seios firmes

entre seus cabelos soltos e longos.

Me chamou com suas mãos e dedos,

Sorrindo a danada chamou por meu apelido

Que ninguém conhece,

com a graça das jovens na beira do salão,

como insinuando estar sozinha,

carente, pronta para todo,

inclusive para me golpear com seu rabo

quando eu chegar na distância certa,

me empurrando para sua boca

de jacaré fêmea,

para me beijar uma vez só e para sempre.

Sua cabeça negra de Açu

era o apelo de uma refeição,

um chamado da vida,

um beijo negro sem língua,

uma lembrança da fragilidade,

um abraço maldito,

o eco nas cavernas profundas das águas

que agitam ondas suaves contra o vento,

duas estrelas cadentes acesas na penumbra da noite,

duas narinas soltando o bafo dos pulmões arcaicos durante o dia.

Um chamado mágico e sedutor

enquanto seus olhos dançavam o ritmo cadente

das águas aparentemente calmas no remanso do rio.

Logo um estalo,

do nada,

uma onda infernal,

a força total do seu corpo,

o bote da fera no esforço carnal,

apenas num piscar de olhos,

depois apenas o silencio fatal,

vi desde dentro de suas mandíbulas

as últimas luzes de seus olhos úmidos me devorando,

degustando esta carne máscula,

dilacerada, esmagada e partida.

Tudo isso

enquanto a última ponta do seu rabo escamoso

desapareceu

no fundo do rio,

entre os banzeiros da balsa da vida

que nos levará até a outra margem

encantados e estragados.

ROMEU E JULIETA

O amor me bandou
Esculachou com a minha moral
Desceu o morro sem a menor compreensão
Me deixou passado
Presente sem jeito, sem fôlego, sem respiração
De olhos virados e completamente sem ação

O amor me atirou o horizonte
Provocou minha crise, o infinito
Me pegou num instante
Humilhou, arrastou, me usou

O amor, não me dou.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

MISSÃO IMPOSSÍVEL

faz tempo que deixei de lutar por causas perdidas
tá me achando com cara de quê?
tô atrás das impossíveis, meu amigo
daquilo que ninguém mais bota fé

segunda-feira, 27 de julho de 2009

OS DO LADO DE FORA



retinas avulsas coladas do lado de fora de minhas janelas
vigiam meu túmulo escondido
alcanço num pulo, me fecho e apago todas as velas
acabo com a festa
os olhos invadem a mínima brecha
e atingem num susto o fim do meu pensamento

Nunca Antes Visto


por Marcelo Reyes Aravena

Anoche me fui de parranda acá en Boa Vista (RR) y salí a tomar con mi amigo M… La idea era salir en busca de un par de chicas para pasar la noche y, en fin, aventurar un poco. Recorrimos varios bares y departimos con simpáticas mujeres roraimenses. Algunas eran bastante coquetas y osadas, sin embargo, como lo advirtió M… sólo buscaban pilotos y hombres con algo de dinero para invitarles una cerveza. Tal parece que todas iban a una gran fiesta de Forró (uno de los bailes más popular de Brasil) y buscaban a alguien que las invitara y le pagara la entrada. Mi socio, algo más experimentado que yo en esas lides, y que además jugaba de local, lo advirtió a tiempo y me dijo: "esta noche será de la caza, no del cazador". - "busquemos otro bar, entonces" y me llevó al Malicias.

Sólo el aspecto de la entrada bastaba para darse cuenta la clase de lugar que era. El barrio y la calle eran bastante marginales y en la puerta se veían un montón de chicas (al menos eso parecían desde lejos) de ropas cortas y ademanes desenvueltos. Al llegar, un negro con pinta de matón nos pidió el valor de la entrada, un solo real.

Franqueada la puerta, el antro se abrió ante nuestra vista: el "Infiernillo". Era bastante amplio y, por supuesto, estaba en penumbras, pese a lo cual se advertía una gran calidad de parroquianos y otra buena cantidad de chicas animando la fiesta. También había música, el escenario y una mujer bailando sobre él.

Nuestra primera impresión de la artista no fue impactante. Bailaba suavemente y estaba más vestida de lo habitual para estos casos. Sin embargo, el ritmo de la música se fue acelerando cada vez más y con él, la danza de esta muchacha, que ganó en agilidad y sensualidad. Era una negra de cuerpo robusto y fuerte. Tal vez no tan espectacular, pero se le notaba el vigor que comenzó a lucir en su baile. Se subía al típico fierro que todos los toples tienen sobre el escenario y se descolgaba de él con la agilidad de los acróbatas circenses. De hecho, su rutina me recordó la de algunas chicas que he visto en escuelas de circo.

De a poco fue quitándose la ropa hasta quedar completamente desnuda. En el intertanto, hacía pausas para beber cervezas y coquetear con los espectadores más cercanos a ella. En un momento climático, vino lo sorprendente: en un rincón del escenario la vi encender un cigarro, pero algo me llamó la atención. El tamaño de la llama era considerablemente mayor que el normal. El misterio se aclaró cuando vi que eran dos. "Al menos es cortés", pensé, imaginando que uno de ellos era para su "novio". Pero no, ambos eran para ella. Después de unos repetidos pasos de baile se tendió en el suelo y elongó sus piernas lo más posible. Entonces, introdujo uno de los cigarros por su vagina y otro por el chiquitín Humberto, de modo que de su entrepiernas se veían dos luciérnagas o dos ojos luminosos que miraban desde donde no había un rostro.

Las luces bajaron aún más y ella retomó su danza, que aumentó extraordinariamente de ritmo y cadencia. Yo seguía como hipnotizado el fulgor de esas dos pequeñas e increíbles luces que subían, bajaban y temblaban al ritmo de sus caderas. Ignoro cuanto tiempo duró la magia, pero fue suficiente como para que se produjera un silencio entre mi socio y yo, que se rompió sólo cuando la odalisca frenó su danza y tendida en el suelo, ofreció los dos cigarros a un tipo que era quien más ganas le tenía. Nuestra cara se llenó de estupor y risa cuando vimos que el tipo, sin ninguna consideración hacia el lugar de donde provenían, se puso ambos cigarros en la boca y aspiró profundamente, dando muestras de aprecio considerable.

"Nunca había visto algo como esto" fue el comentario que al unísono hicimos con mi socio, una vez que se nos cortó el ataque de risa.

Al poco rato, la protagonista, sudorosa y desnuda, se acercó a la barra y a la mesa en la que estábamos. Por eso pudimos oír claramente su comentario final:

- “O cara que fumou, morreu![1]”.

Huelgan comentarios.

Pasadas las contorsiones de risa, bebimos nuestras cervezas y ya comenzando el amanecer del nuevo día, nos volvimos a casa. Si bien es cierto la noche fue de la caza, al menos los cazadores se retiraban bastante ebrios y muertos de la risa, evocando la aventura y la imagen inolvidable de aquel fumador empedernido y tan despreocupado de su salud.


[1] “El tipo que fumó, murió”

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Convite aos Leitores da Revista PPP

Na próxima semana a Universidade Federal de Roraima estará sediando o seguinte evento: MST: 25 Anos de Luta Pela Terra. Esse evento é uma promoção do MST, MMC, Departamento de Ciências Sociais da UFRR e do Centro de Ciências Humanas da UFRR. O evento contará com mostras fotográficas, filmes, documentários, formação política, acampamento pedagógico, feira de artesanato e de alimentos produzidos pelas famílias acampadas e assentadas no estado de Roraima e um debate sobre a atuação dos Movimentos Sociais Rurais em Roraima. As atividades ocorrerão durante os dias 8 e 9 de junho de 2009.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Balada das Três Mulheres do Site de Lá

Balada das Três Mulheres do Site de Lá


As três mulheres do site de lá me provocam, me bouleversam, me aterrorizam.
Oh, as três mulheres do site de sabonete às 4 horas da manhã!
O meu reino de Jeová pelas três mulheres do site de lá!
Que outros, não eu, as pedras do monte Roraima cortem
Para brutais vos adorarem,
Ó brancaranas azedas,
Mulatas cor da lua vem saindo cor de prata
Ou celestes indianas:
Que eu vivo, padeço e morro só pelas três mulheres do site de lá!
São amigas, são irmãs, são amantes as três mulheres do site de Lá?
São prostitutas, são declamadoras, são acrobatas?
São as três Marias?
Meu Deus, serão as três Marias-vai-com-as-outras?
A mais crua é doirada borboleta.
Se a segunda casasse, eu ficava safado da vida, ia pra Venezuela e nunca mais telefonava.
Mas se a terceira morresse...Oh, então, nunca mais a minha vida outrora teria sido um festim!Se me perguntassem: queres ser estrela? queres ser rei...torto?
queres uma ilha com paraíso fiscal no Pacífico? Um bangalô na beira do rio Branco?
Eu responderia: Não quero nada disso, didata. Eu só quero as três mulheres do site de lá:
O meu reino pelas três mulheres do moderno site acadêmico de lá!